31.3.04

20 anos em 3 meses

Parafraseando Juscelino, foi o que envelheci.

A Especialista

Pedi � minha gerente para conhecer outros setores, para ampliar meus conhecimentos. Fui convocada para o T.V.V.

- Olha s�, a Marcela est� participando do T.V.V.! Est� conhecendo outros setores do trabalho!
- Pois �. Eu j� tinha feito isso no final do ano passado.
- Nossa... ent�o vai virar uma especialista!


Ser� que conta alguma coisa ser especialista em contar contratos e somar seus valores? Pois � a isso que se resume o T.V.V. Enriqueci muito o meu curr�culo com isso, al�m de aumentar as minhas chances de desenvolver presbiopia (depois de 8 horas passadas contando contratos, em 2 dias), e de ter entortado minha coluna de vez. Podem morrer de inveja. Tenho futuro nesse emprego!

29.3.04

Lembro de quando eu era crian�a.
As P�scoas da minha inf�ncia sempre foram muito agitadas. Fam�lia inteira reunida, troca de presentes...
A P�scoa n�o adquiria nenhum sentido b�blico/cat�lico. Era (e ainda �) um mero feriado sustentado pelas ind�strias de chocolates.
Ent�o, numa P�scoa entre o final dos anos oitenta e o in�cio dos anos noventa, descobri a verdade cruel: o coelhinho da P�scoa n�o existe.
"O coelhinho n�o existe, mas o Papai Noel, claro, existe!" - era a verdade que insist�amos em sustentar. E trat�vamos o assunto como segredo de estado. Passei a me sentir fazendo parte da elite da fam�lia por saber desse segredo. Os primos mais novos n�o sabiam, e sequer desconfiavam dessa trama maligna. Mas eu n�o! Era praticamente uma adulta e me sentia guardi� de um segredo sagrado.
Mas, enfim, nunca fui muito tolerante e frequentemente me irritava com meus primos mais novos. N�o tinha o costume de bater em ningu�m (ainda mais porque sempre fui banana e acabaria apanhando) mas passei a me vingar deles de uma forma cruel. Sem d� nem piedade.
"Voc� sabia que o coelhinho da P�scoa n�o existe?" era o que bastava para eu me sentir vingada, ainda mais quando sa�am chorando. Destru� muitas inf�ncias. Como eu adorava aquilo!
VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA! VELHA CHATA!

definitivamente n�o estou me aguentando mais.

Paz de esp�rito

- Voc�s nem acreditam, mas eu quase fui pra Ponta Grossa hoje � tarde!
- Mas como, Thais?
- De �nibus, oras!
- E o que voc� ia ficar fazendo em Ponta Grossa??
- Ah, sei l�... descansar o esp�rito.
- Thais, hoje � s� segunda-feira! A semana � feita pra desgastar o esp�rito. Pra descans�-lo temos o final de semana!


Como se desse tempo...

28.3.04

Preciso de uma sess�o de descarrego, ser benzida, me confessar, receber passe, saltar de p�ra-quedas.
Cansei de ser a chata, mal-humorada, antip�tica e grossa da turma, da fam�lia e da cidade.
Acho que nasci e logo fui possu�da por um esp�rito de porco que, at� hoje, n�o tem nada melhor a fazer do que atormentar a minha vida (e principalmente a vida daqueles que convivem comigo).
Vai embora! Sai desse corpo que n�o te pertence!
Ascaris lumbricoides
Acho que � isso o que vive dentro de mim atualmente. Tenho comido demais.

Todas as Vidas

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao p�
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feiti�o...
Ogum. Orix�.
Macumba, terreiro.
Og�, pai-de-santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d`�gua e sab�o.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de S�o-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picum�.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem prolet�ria.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De p� no ch�o.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irm�zinha...
t�o desprezada,
t�o murmurada...
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera
das obscuras!

Cora Coralina

27.3.04

Nunca fui muito ativa, mas agora estou em total falta de atividade.
N�o saio de casa h� tempos, exceto para ir ao mercado e ao trabalho. N�o tenho bebido nem dado muita risada.
N�o ligo mais para meus amigos nem recebo muitas liga��es.
Minha base alimentar � miojo. N�o caminho, n�o vejo o sol. N�o fa�o atividade nenhuma.
Estou virando uma curitiboca perfeita. Mal-humorada, inerte e desagrad�vel.

Quero uma vida. Pode ser emprestada. Eu devolvo.
Que ningu�m venha falar comigo hoje. Ou correr� o risco de ouvir a verdade.
Porque n�o importa o grau de intimidade ou h� quanto tempo se conhecem, mas as pessoas geralmente n�o esperam ouvir a verdade como resposta a certas perguntas.
"Como voc� est�?", ou "Como foi o trabalho?" s�o cl�ssicas. Ningu�m quer ouvir que estou com enxaqueca e que minha cabe�a est� a ponto de explodir; que n�o sei se � da vista ou da idade. Est�o ainda menos interessados em saber que minha chefe resolveu me bajular e me "transformar em exemplo na ag�ncia", passando assim a me tratar como uma aluna de maternal.

O que esperam realmente ouvir � "Tudo bem, e voc�?", e dar in�cio a uma conversinha f�til e sem nenhum conte�do, como quase toda conversa que se tem nessa rede (salvo poucas e raras exce��es, � claro).
Sendo assim, n�o me perguntem, ou ter�o que ouvir a verdade. Infelizmente.
Resolvi falar somente a verdade. S� por hoje vou ser eu mesma o tempo todo, doa a quem doer.
Ruim � n�o ter algu�m que pergunte.

25.3.04

Duas mo�as jogavam golfe pela primeira vez. Quando deu sua primeira tacada, uma delas acabou acertando um rapaz que logo se abaixou, gemendo de dor, com as m�os entre as pernas.
- Por favor, deixe-me ajud�-lo - disse a mo�a. Sou fisioterapeuta e posso fazer sua dor diminuir.
O homem respondeu que n�o precisava se incomodar. Encontrava-se em posi��o fetal, com o corpo arcado para baixo, as m�os entre as pernas e fei��o de muita dor.
- Eu insisto, deixe-me ajudar.
Ent�o abriu as cal�as do rapaz e colocou suas m�os dentro, massageando seu �rg�o copulador. Massageou por alguns minutos e perguntou:
- E ent�o, est� se sentindo melhor?
E o homem, com ar de felicidade:
- Sim, muuuuito obrigado. Minha m�o at� parou de doer!

24.3.04

A solu��o � alugar o Brasil

Hoje � tarde, no banco:

- �, a sua empresa est� com pend�ncia. A certid�o negativa s� vai sair daqui a tr�s dias �teis.
- Qual a pend�ncia?
- � uma multa rescis�ria que n�o foi depositada. Cinco reais e cinco centavos.
- Voc� acredita que eu vou perder uma licita��o de 500 mil reais por causa disso? Cinco reais e cinco centavos! �, n�o tem jeito mesmo! O neg�cio � morar fora do Brasil. Vou morar em Antonina.

15.3.04

Porque Narciso acha feio o que n�o � o espelho...

Eu gosto de ser elogiada.
E tenho certo problema em receber elogios.
N�o consigo aceitar qualquer tipo de elogio, aquele espont�neo. � terr�vel pensar assim, mas me soa muito falso (n�o que essa seja a inten��o da pessoa) e n�o consigo simplesmente aceit�-lo como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Mas em certas ocasi�es fico extremamente frustrada em n�o receber um cumprimento, um elogio, uma palavra de apoio. Na verdade s�o duas as ocasi�es: quando cozinho e quando escrevo.
Sei que n�o sou nenhuma chef, tampouco sou um Saramago. Mas, poxa, d� pro gasto, n�o �?

Cozinhar � uma arte e tem que ser reconhecida. E esse � um dos motivos (quem sabe o maior deles) pelo qual n�o cozinho quando estou sozinha. Ningu�m para dizer como a comida est� gostosa, "o que voc� colocou nessa comida?", "est� muito bom!", "uhmmm, que del�cia", ou um mero "obrigada". Sei que n�o sou a pessoa mais equilibrada do mundo, mas ficar elogiando a mim mesma, at� pra mim, � um pouco demais.

Ontem falei com uma amiga pelo icq, que disse que escrevo bem e que tenho "uma facilidade desgra�ada pra escrever". "Que � isso..." foi o que respondi, mas deveria ter dito: Voc� salvou meu dia!

Eu poderia usar uma frase feita ou usar psicologia barata para tentar me justificar. Mas fazer o qu�? Sou narcisista, e da�

Oficina de loucos

O que voc� diria de uma pessoa que, com quase 30 anos nas costas, fica trancado um dia inteiro dentro do pr�prio apartamento porque a m�e saiu e n�o deixou a chave?
E se uma pessoa fica trancada pra fora de casa, das 14 �s 23 horas porque sua m�e e irm� sa�ram e n�o deixaram a chave de casa?
O que acharia de um vizinho que bate na sua porta �s 22 horas pra pedir a geladeira emprestada porque sua m�e muito l�cida (defini��o pr�pria) quebrou a porta da geladeira e resolveu do�-la para catadores de lixo, impossibilitando gelar as cervejas?
E se isso tudo fosse a descri��o de uma pessoa s�? Pois esse � o meu vizinho. Vermelho de cabelo, rosado de pele e totalmente cara-de-pau.
Pediu nossa geladeira emprestada, dissertou sobre os problemas psicol�gicos de sua m�e, pegou gelo, falou sobre sua inf�ncia traum�tica, sobre as oportunidades perdidas, as faculdades n�o terminadas, a antiga namorada que lhe causou um preju�zo financeiro enorme (que inclusive foi o respons�vel por faz�-lo voltar a morar com a m�e). Tudo isso em suas tr�s �ltimas visitas num curto espa�o de tempo de menos de vinte minutos.

At� ent�o a impress�o que ele me passava era a de uma pessoa fraca da cabe�a que, apesar da idade, n�o tem a chave de casa. Agora al�m disso, percebo que ele tem s�rios problemas, que, quem sabe, anos de terapia poderiam amenizar.
"�... a minha vida � muito dif�cil" foi sua frase de despedida.
Pena que ele vai se mudar em breve. Com certeza renderia textos interessantes sobre o universo psicol�gico de uma alma perturbada.

14.3.04

Ch� de alho

Depois de cinco anos sem v�-lo o reencontro na rodovi�ria, voltando pra Curitiba. Acabamos pegando o mesmo �nibus e ele pegou meu telefone.
Alguns dias depois resolveu me ligar, e me visitou, � tarde.
- Sabe, eu te odiava antigamente!
- Eu sei, voc� era insuport�vel. Muito irritante mesmo! Sempre de mal com a vida, de cara fechada. Era uma revoltada!
- Voc� tamb�m era! E muito chato. Eu odiava quase todos os amigos da Paula (minha irm�). Menos a Danielle. Ela eu tratava bem.
- Odiava 99,8% do mundo, n�o �?
- N�o. Dos meus amigos eu gostava.
E ficamos mais algum tempo com essa troca de gentilezas. Ontem ele reapareceu. Eu estava precisando de uma chave de fenda e ele, mesmo gripado, veio traz�-la pra mim.
E eu, para retribuir a gentileza, ofereci um ch�. De alho. Pelo que eu sei � bom pra gripe.
- Voc� est� querendo me matar, n�o �?
- � pra retribuir tudo o que voc� me fez naquela �poca em que eu te odiava.
Ele n�o aceitou o ch�. Foi embora no frio e teve febre a noite toda.
Se tivesse tomado o ch� estaria novo em folha. Ah, esses amigos da Paula...

Por que os homens n�o notam quando as mulheres cortam o cabelo?

Dr�uzio Varela explica: culpa do c�rebro. Na �poca de Esta��o Carandiru ele foi mais convincente.
Antigamente a culpa era sempre do mordomo. Agora resolveram culpar o c�rebro. O mordomo estava muito manjado.
N���oooo... n�o � porque eles s�o insens�veis, nem porque s� se preocupam com futebol, bunda e com o pr�prio umbigo (quando ainda conseguem enxerg�-lo debaixo da pancinha de chope). � culpa do c�rebro, claro! C�rebro feio!
Queria voltar a ser como eu era h� alguns meses atr�s. Conviver com os meus amigos, participar das manifesta��es pol�ticas, discutir pol�tica, saber onde estou e me sentir inserida no meio.
Minha vida mudou repentinamente em menos de um m�s. Arranjei emprego, larguei a faculdade, sa� da casa dos meus pais, mudei de cidade. Passei a ser respons�vel pelos meus atos e a ser sustentada por mim mesma.
Ou�o sobre as mobiliza��es que est�o ocorrendo e morro de vontade de estar l�, mas ao mesmo tempo sinto a responsabilidade pesando sobre os meus ombros.
Sinto-me extremamente in�til por n�o estar estudando, o que me motivou a procurar um cursinho. Na porta deparei-me com rostos muito jovens, de uma gera��o diferente da minha. Rostos que escapam das aulas para fumar escondido dos pais, que estampam espinhas e cabelos compridos, denunciando suas idades e seus esp�ritos rebeldes.
Sempre andei com pessoas da minha idade e me sentia muito bem com isso. Estava inserida nos acontecimentos, era parte de alguma coisa maior. Tinha meus amigos, participava de discuss�es. Por onde olhasse encontrava algu�m conhecido, disposto a conversar, ou, ao menos, a dar um "oi" simp�tico.
Hoje olho para o lado e vejo uma cidade triste, muita correria e ningu�m conhecido. Eu mesma ando triste, sempre na correria e desconhecida. N�o tenho colaborado para que me conhe�am. N�o saio de casa nos finais de semana, n�o interajo com o meio. Sou apenas mais uma alma cansada na "cidade sorriso", cujo sorriso deve estar amarelado e escondido, j� que nunca o vi.
Pensei em largar tudo, em voltar a ser como era antes. Rever meus amigos, voltar ao movimento estudantil, discutir, argumentar, polemizar. Ser �til. Mas � tudo. Nunca gostei do meu curso, tampouco da minha cidade. E n�o largaria tudo o que conquistei at� hoje.
N�o me sinto inserida onde vivo, e me sinto deslocada do mundo que deixei pra tr�s. Sei que se voltasse atr�s os rostos n�o estariam mais l�. Eu n�o seria mais a mesma, e quem sabe, nem seria mais necess�ria.
Tenho vontade de fugir de casa, mas seria rid�culo. Estaria fugindo de mim mesma.
Queria n�o sentir medo do que vem pela frente. Simplesmente deixar acontecer, como fiz a minha vida inteira.

13.3.04

Hipoglic�micos An�nimos

Por que diabos descobri a minha hipoglicemia?
N�o nego, sempre fui louca por doces. Mas at� conseguia passar alguns dias sem ingerir nenhum. Agora n�o mais.
Parece que a minha depend�ncia f�sica foi refor�ada por uma depend�ncia psicol�gica. � inevit�vel, e virou tamb�m uma desculpa para me empanturrar de doces o dia todo.
Daqui a alguns anos estarei enorme, cheia de espinhas na cara, quem sabe hiperglic�mica, mas ainda com essa vontade irresist�vel remanescente de consumir glicose.
Cheguei ao c�mulo de almo�ar sorvete e jantar uma barra de chocolates. E justo agora que eu vinha conseguindo manter uma alimenta��o saud�vel, a base de produtos light, bolachas de fibras e, uma vez ou outra, carne e macarr�o!
Quando eu n�o mais conseguir passar por uma roleta, ou sentar em cadeiras que n�o sejam refor�adas com a�o, devido � minha futura obesidade m�rbida, fundarei um grupo de ajuda, os Hipoglic�micos An�nimos.

11.3.04

Campanha

Livre Curitiba dos curitibanos.
Com certeza ser� uma cidade muito melhor, mais agrad�vel e menos mal-humorada.

Ades�es e manifesta��es de apoio podem ser declaradas atrav�s de e-mails e/ou coment�rios.

10.3.04

H� alguns anos eu e a Michelli �amos juntas para a faculdade todos os dias. Mor�vamos a uma quadra de dist�ncia, ent�o eu passava no seu pr�dio, ela descia e nos dirig�mos ao ponto de �nibus.
Poucos sabem disso, mas ela tem um p�ssimo humor quando acorda. E um p�ssimo gosto musical tamb�m, visto que costumava cantar "Morango do Nordeste" no caminho.
E eu sempre falei demais.
Combina��o terr�vel.
- N�o aguento mais, Marcela! Voc� n�o para de falar!
- T� bom, Michelli. N�o falo mais nada! Voc� vai ver, ainda vai implorar por ouvir uma palavra minha. Mas n�o... n�o falarei mais nada! Vai se arrepender de ter dito isso! Que insens�vel voc� �!
- Duvido.

E seguimos nosso caminho. Esse pequeno desentendimento foi no come�o de uma pra�a. Ao cruz�-la cheg�vamos ao ponto de �nibus.
Algum tempo depois...
- T� bom, Mi. J� que voc� insiste, eu falo contigo.
- Mas eu n�o insisti! Ainda estamos no meio da pra�a e voc� j� est� falando! Eu sabia que n�o ia aguentar.

LER

- Acho que t� com LER no pulso esquerdo.
- N�o fala isso, menina! Voc� ainda n�o � efetiva!
- Mas � s�rio! N�o aguento de dor!
- Ent�o faz o seguinte: semana que vem, quando te efetivarem, voc� vai ao m�dico. Pega um atestado e fica em casa.

9.3.04

N�o quero um dia, quero uma vida toda.

8 de Mar�

No trabalho recebi um papel me cumprimentando por ser mulher e, grampeado a ele, uma bala.
O governo federal anunciou que n�s, mulheres, pela semana do dia internacional da mulher, n�o pagaremos para fazer CPF.

Ainda hoje recebi os parab�ns de um cliente. "N�o te vi ontem, portanto dou os parab�ns agora", foi o que ele disse.
Realmente merecemos parab�ns. Parab�ns por nos desdobrarmos e n�o sermos reconhecidas.
Parab�ns por termos n�vel de escolaridade maior que dos homens, e, ainda assim, recebermos menos.
Parab�ns por termos que provar constantemente a nossa capacidade, por sermos m�es, filhas, empres�rias, banc�rias, estudantes... �s vezes tudo ao mesmo tempo, sem direito a reclama��es.
Parab�ns por termos um dia no ano dedicado a n�s. Data esta que nos lembra v�rias oper�rias que foram queimadas vivas dentro de uma f�brica.

Os parab�ns s�o mais do que merecidos. Apesar de vivemos no mundo onde vivemos, de sofrermos constantemente com a discrimina��o, continuamos querendo ser empres�rias, banc�rias, estudantes e principalmente m�es. Merecemos tudo o que conquistamos, e conquistaremos ainda muito mais. Somos aben�oadas por gerar vidas, mesmo que esses seres que saem de dentro de n�s sejam os mesmos que continuam a nos discriminar.

7.3.04

Sa� de casa apenas para almo�ar e acabei descobrindo que sou hipoglic�mica.
Puro acidente.
O Rotary estava comemorando seus 99 anos, e com isso anunciando a pobres pessoas seus problemas de sa�de.
Ano que vem comemoram seu centen�rio. N�o vou passar perto da comemora��o pra n�o descobrir coisa pior.

6.3.04

Quases

Quase terminei Farm�cia.
Quase fui demitida.
Quase entrei em depress�o. Quase sa� dela.
Quase almocei num restaurante bom.
Quase virei uma pessoa nojenta.
Quase fui atropelada.
Quase comi demais.
Quase comprei um celular.
Quase comprei um cachorro.
Quase estourei a minha conta.
Quase fui pra casa.
Quase fui pra praia.
Quase fui elogiada. Quase fui xingada.

A �nica certeza que tenho no momento � que sou hipoglic�mica. E quase fiquei sem saber disso.

5.3.04

Crise de identidade

N�o sei o que acontece comigo... todos os meus animais de estima��o t�m algum tipo de desvio de personalidade.

Minhas cadelas, que moram na casa dos meus pais, por exemplo:
A Bella, mais velha, j� achou que era um gato. Mesmo sendo uma cocker, � extremamente calma. Antigamente, quando a cham�vamos, ela olhava com aquele ar de desprezo e soltava um "humpft". Virava para o lado como se n�o fosse com ela.
Ela e sua filha, a Nina, nos �ltimos tempos, assumiram a personalidade de poodles. N�o podem ver ningu�m sentado que v�m em alta velocidade e pulam no colo. N�o se importam se o est�mago est� vazio ou n�o, se a bexiga est� prestes a explodir... pulam em cima como se pesassem o mesmo que poodles. E n?o ligam para poss�veis retalia��es.
O gato F�lix, criado com a Nina, acha que � um cachorro.
Voc� o chama e ele vem. Espera, ao lado do port�o, o carro entrar. Come ra��o de cachorro. S� n�o late. Ainda.

A �ltima surpresa foi a Tarsila. Ainda � filhote, o que pode explicar essa crise de identidade. Acha que � um coelho.
Senta-se apoiando-se apenas em duas patas, com as outras duas suspensas no ar, igual a um coelho. E n�o anda. Saltita, como quem busca uma cenoura.

Dizem que os animais adquirem a personalidade do dono.
Que bicho ser� que eu sou?
T�, n�o respondam.

3.3.04

Tarsila... do Amaral

� a mais nova moradora da Rep�blica "� LALA - FALTOU LUZ MAS ERA DIA"
Veio da P�rsia diretamente para Curitiba. � albina, tem o focinho achatado e sustenta uma estranha atra��o por toalhas e manchas no ch�o.
Por enquanto s� mia e tem medo dos nossos p�s.
Descendente de imigrantes alem�es, � filha de Marcela do Amaral e neta de Michelle Fuchs.
Amada por todos que a v�em, tem um futuro n�o muito promissor. Ser� uma fumante inveterada (passiva ou ativamente falando), esnobe e mimada.
Com uma gata dessas, quem precisa de homens?

2.3.04

Enc: Melhore sua vida sexual

"Fique horas transando e enlouque�a qualquer mulher

Guia do Orgasmo feminino
Ere��es Duradouras
Aumento do P�nis"



1�: n�o tenho pretens�o de enlouquecer nenhuma mulher. Eu ficaria muito chateada se isso acontecesse comigo. Obviamente est�o duvidando da minha feminilidade.
2�: ere��es duradouras? Isso � poss�vel para quem n�o tem um p�nis?
3�: aumento de p�nis? Novamente, isso � poss�vel para quem n�o tem um p�nis?

POR QUE DIABOS INSISTEM EM ME MANDAR ESSE TIPO DE E-MAIL?
SER� QUE SOU HOMEM E N�O SEI?

1.3.04

Meu monitor se chama...

Conversa no icq:
- Diogo, meu monitor queimou!!
- Mas como voc� est� digitando ent�o?
- T� com o monitor da Michelle.
- E qual era o teu monitor?
- Aquele que t� ali do lado!

Iogurte com granola

� a mais nova droga do mercado. Traficantes disputam pelo monop�lio do com�rcio negro de iogurte com granola.
Thais foi a primeira comprova��o cient�fica dos efeitos alucin�genos dessa perigosa combina��o.
Contorce-se freneticamente a cada colherada.
"Bom para caralho", � tudo o que ela consegue dizer.

Grau elevado de comunica��

Thais, ao telefone, com sua m�e:
- E a�, m�e, tudo bem?
- Sim, filha. Como est� tudo em Curitiba?
- Tudo bem.
- E o primeiro dia de trabalho, como foi?
- Foi bom.
- O que aconteceu de bom hoje?
- Leia meu blog. Depois vou contar tudo l�.
- Ent�o t�, filha.
- Tchau, m�e.