26.6.09

História com fim

Eu não me considero uma pessoa consumista. Não porque eu não admita algum vício secreto, mas porque realmente não sou. Não gosto muito de shoppings, cheios de pessoas se amontoando, mal educadas... E sim, sou anti-social - no bom e velho português que conheço.
Ocasionalmente, enfatizando que é ocasionalmente, eu me empolgo com algumas coisas. Adoro utensílios domésticos e eletrônicos. Quando compro algum acabo entusiasmada num certo grau elevado. Chego em casa e leio todos os manuais! Adoro ler manuais!
Bom, de um tempo pra cá tenho desenvolvido um gosto por calçados.
Sinceramente não sei que milagre magnífico a indústria de calçados alcançou, mas conseguiram me conquistar. Estou apaixonada por sapatos! E agora tenho preferido alguns de salto. São tão confortáveis!! Tão diferentes dos que eu lembrava...
Resumindo: comprei 2 pares hoje. E um deles é tão lindo, mas tão lindo, tão tão tão lindo, que fico orgulhosa de mim mesma por tê-lo comprado.
Tão, tão lindo que já mostrei e provei umas três ou quatro vezes para o Érico admirar. E ele, sempre sarcástico comenta: Realmente é perfeito. Muito bonito mesmo. Sim, concordo, é maravilhoso.
- Não é mesmo?
Eu concordei na hora e ainda disse que o usaria para trabalhar na segunda. Se bem que agora, pensando melhor, não sei não. Provavelmente meus pés congelarão se o tempo não mudar.
Ele então sugeriu que eu não usasse o sapato, mas que mandasse emoldurá-lo e pendurasse em alguma parede de enfeite, porque o sapato é realmente maravilhoso.

Quando aconteceu eu achei interessante para escrever no blog. Fui escrevendo, lembrando, e finalmente terminei. Comecei a reler para achar evenuais probleminhas, fui lendo, lendo, e não achei nem um pouco interessante. Como perdi uns 10 minutos da minha vida escrevendo, que não tenho mais como recuperar, e tenho vergonha de colocar o fim - é realmente sem graça - vou publicar assim mesmo. De bônus, o calçado.

FIM.

13.6.09

Aprendendo a incentivar

Estávamos conversando enquanto jogávamos pôquer online e discutíamos para que lado a nossa caminhada iria logo mais.
E então surgiu o assunto "parar de fumar".
Ele me perguntou: Você acha que vai conseguir parar de fumar sem tomar nenhum remédio?
Eu respondi que achava que sim. Vou tentar parar de vez. Acho que consigo.
Ele pensou, pensou, e disse: É... eu acho que não consigo parar de uma vez só.
Sabem aqueles momentos em que a verdade absoluta vem à tona? Todo mundo sabe a resposta. É óbvia! Está estampada bem ali! Mas, como toda verdade absoluta, nunca deve ser pronunciada.
E eu? Pronunciei!
- É, eu também acho! Você não consegue mesmo!
Ele é do tipo que, se fica sem cigarro à meia-noite, sai no frio ou na chuva para comprar uma carteira! Eu fico sem fumar por bons tempos. Fico semanas, às vezes, fumando só alguns poucos cigarros. Ele não consegue. Mas ainda que a verdade estivesse ao meu lado, fiquei com remorso depois de ver a reação dele.
- Poxa, em vez de me incentivar falando "Você é forte, é claro que consegue!", fica sendo negativa. Eu não disse que você era negativa?
Comecei a rir. Um pouco de nervosismo, um pouco pela situação. Era verdade, oras!
Acho que esse é o dilema de toda companheira. A mentira para fazer o outro feliz. A negação total da situação! É como fingir não ver estampada a "verdade absoluta"!
Para que lado eu iria? Deveria considerar a tradição e mentir pelo outro? Ou revelar, enfim, a verdade absoluta?
Respondi:
- Desculpa. Parece horrível o que falei. Só que eu só falei a verdade...
- Viu? Eu não disse? Não acredito que você fez DE NOVO!

6.6.09

Epitáfio

Junho de 2007 - avô paterno.
Junho de 2008 - pai.
Junho de 2009 - avô materno.

Estou tentando achar o padrão para me preparar para o ano que vem.
Todos já eram avôs, mas também eram pais, logicamente. Todos tinham relação sanguínea comigo, mas também com meus irmãos.

Pensando bem, todos os homens responsáveis pela minha existência já se foram. Não há no mundo nenhum homem vivo que tenha alguma responsabilidade pela minha existência. Talvez seja exatamente esta a resposta. A eliminação começou com os progenitores e a exterminação total está próxima.

Se for mantido o padrão "homem/pai", o próximo da lista é o meu irmão. Já avisei pra que faça um seguro de vida. Ninguém pode alegar surpresa.

Se o negócio for comigo, só espero que seja rápido e indolor. Sem mais exigências. O enterro, gostaria que fosse em Fernando de Noronha. Todos estão previamente convidados. Data e horário a confirmar. Na lápide, além das informações obrigatórias, os dizeres "enterrada viva" - tirei a idéia de algum programa. Acho que não dá pra exigir pagamento de direitos autorais de um defunto.